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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ê CAMPO DE BATALHA, CAMARÁ!

Ainda há Capoeiras que correm rodas... acima, registro fotográfico do dia 16/08, em um dos tantos encontros com nosso Mestre Ananias às terças-feiras.

Por Rodrigo Minhoca

Uma roda realmente popular de Capoeira é ambiente para poucos entre os praticantes da arte. São eles os que saem do conforto e se permitem conhecer os segredos da rua, enfrentar uma vida livre de regras pré-definidas e instituídas para controlar e atender ao mercado. Este sim, o mercado e suas tendências, pode ser dividido entre estilos e novas tradições, agora os Capoeiras... não. Somos guerreiros e estamos juntos e misturados. Aprendemos a respeitar e admirar as nossas diferenças. Por isso, nos encontramos aqui na Casa Mestre Ananias, na Praça da República e em algumas rodas de Capoeira pela Grande São Paulo.

Mestre Ananias irradia o espírito da Capoeira, e sua presença marca de forma amistosa ou não, assim como a vida se apresenta. Sua dinâmica na roda de Capoeira propõe contradições, arma e desarma situações que despertam o guerreiro interno de cada um. Quem passa a conviver o dia a dia, roda a roda, entende tudo isso. Se tantos são seus alunos é porque Ananias não é Mestre de um grupo e sim da Capoeira.


A Revista Caros Amigos fez uma reportagem com Mestre Ananias, que tem um pouco de sua história documentada aqui em nosso blog, em textos, vídeos e hiperlinks. São muitas as lembranças de Ananias no decorrer dos seus 86 anos.
Acima, nosso querido mestre é fotografado ao lado de Mestre Zumbi, outro grande guerreiro da Capoeira Paulistana. Clique no link a seguir e confira parte do texto publicado na revista impressa: Mestre Ananias está na Revista Caros Amigos de agosto/2011

(fotografias de Zé Amaral)

domingo, 10 de maio de 2009

SÃO PAULO DE LUANDA NO CORAÇÃO DA ÁFRICA NEGRA

Na foto, um homem carrega as bandeiras nacionais de Angola e do Brasil.
(Foto: de autor não identificado, website opatifundio.com)

Escrito por
Carlos Primo Vaz



A cidade de São Paulo tem uma irmã do outro lado do oceano Atlântico. É a cidade de São Paulo de Assunção de Luanda, ou simplesmente Luanda. A atual capital da República de Angola foi fundada pelos portugueses em 1576, 22 anos após a fundação da nossa São Paulo.

Luanda é uma grande cidade litorânea, com milhões de habitantes. Além do português (que é a única lingua oficial), lá em Angola são faladas mais de 20 línguas. A cidade é a terceira maior do mundo em que os habitantes falam português (a São Paulo brasileira em primeiro lugar e o Rio de Janeiro em segundo).

É curiosa a história de Luanda, nela encontramos pontos em comum com o desenvolvimento do nosso Brasil e do mercantilismo português. Na mesma época em que os holandeses tentavam se estabelecer no litoral brasileiro (em Pernambuco tiveram Maurício de Nassau como líder por muitos anos), também fizeram investidas contra os domínios portugueses na África, incluindo Angola.

Com a missão de frustrar os intentos da Holanda naquela região, uma frota de 12 navios (com mais de mil homens, segundo a história conta) parte daqui do Rio de Janeiro rumo a Angola. Em 15 de agosto de 1648, em batalha decisiva na baía de Luanda, os holandeses refugiados na fortaleza de São Miguel são vencidos pelos portugueses comandados por Salvador Correia de Sá e Benevides.

Missão cumprida após o combate, a até então São Paulo de Luanda passa a se chamar São Paulo da Assunção de Luanda, alterando-se o nome da cidade na intenção de afirmar a soberania portuguesa e esquecer os mais de 20 anos em que os holandeses incomodaram e ofereceram resistência em Angola. Em 15 de agosto comemorava-se a Assunção da Virgem Maria, segundo a tradição católica.

Saudações aos nossos irmãos de Angola, nação que passa por um processo de reconstrução desde 2002, após o fim de décadas de guerra civil. Lá de Angola vieram muitos negros escravizados para as plantações de cana-de-açúcar no Brasil, onde sofreram castigos cruéis, em jornadas de trabalho desumanas. Viva a Mãe África e o respeito entre os povos de todas as etnias!