GRUPOS



ASSOCIAÇÃO DE CAPOEIRA ANGOLA SENHOR DO BONFIM
Este é o grupo fundado por Mestre Ananias logo quando chegou a São Paulo. Em 1953, colocou a Capoeira, junto à dupla pernambucana Venâncio e Corumba, no tradicional Edifício Martinelli). Após isso, o Mestre deu aulas em várias regiões de São Paulo, como Vila Maria Alta , Itaquera, Utinga, São Bernardo do Campo, Diadema, entre tantos outros que não se recorda mais.

A Associação ficou alguns anos sem sede fixa. Na década de 90, a partir da Roda de Capoeira da Praça da República, uma nova geração se aproxima do Mestre. Jovens que buscavam respostas para o porquê do Mestre mais antigo dessa agremiação de capoeiristas, pioneiro na capital paulistana, não ter seu próprio espaço e não possuir seguidores da sua Associação de Capoeira Angola Senhor do Bonfim.

Foi então que, no ano de 1997, alguns desses jovens resolvem estruturar um espaço no bairro de São Judas para aprender, vivenciar e dar continuidade a esse legado. Em 2000, foi fechada essa sede, permanecendo alguns alunos ao seu lado, compondo a Associação. Mantiveram até o ano de 2007 projetos como o de registro documental, acompanhando o Mestre em rodas e eventos por São Paulo e outras cidades.

Nesse ano de 2007, alguns dos discípulos da Associação de Capoeira Angola Senhor do Bonfim, junto a Capoeiras que acompanhavam o Mestre, dão início ao que hoje é a Casa Mestre Ananias. Um projeto social que tem como base esse grupo de Capoeira e que, atualmente, não possui outras unidades de ensino.

Os percursos do aprendizado de Mestre Ananias, suas influências e trajetórias na Capoeira fazem com que sua escola preze a oralidade e a vivência popular como principal ferramenta de ensino.



SAMBA DE RODA GAROA DO RECÔNCAVO

O "Garoa do Recôncavo" se caracteriza como um movimento pelo Samba de Roda que surge em São Paulo como expressão da comunidade da Capoeira em torno de Mestre Ananias (1924-2016). No ano de 2000, discípulos seguidores do Mestre se organizam enquanto grupo a fim de pesquisar e desenvolver o Samba de Roda que até o momento, acontecia espontaneamente em festas e após a Roda de Capoeira. É um movimento pioneiro na capital paulistana que preza os valores do Samba Chula (ou Samba de Viola). Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO 2005) é um gênero que tem como características centrais a Viola Machete e a técnica de dueto vocal.

É uma ação de longo prazo, proposto pela Casa Mestre Ananias para criar um lugar de referência vivencial, através das festas populares promovidas no bairro do Bixiga, para o desenvolvimento dessa manifestação da cultura baiana em São Paulo. Além da atuação nesse contexto sócio cultural, também realiza apresentações em eventos, projetos, vivências em grupos de Capoeira, centro culturais, Sesc entre outros.

A proposta musical mantém características comuns às formações tradicionais existentes no Recôncavo da Bahia. O canto em duas vozes e a Viola Machete como instrumento central buscam preservar a tradição do Samba Chula, cada vez menos presente na região de origem. São evidentes certas influências urbanas, uma vez que não se pretende fazer uma cópia caricata e sim acatar as transformações naturais da manifestação no ambiente que se desenvolve, sem descaracterizá-la. Assim, o grupo retrata a miscigenação da capital paulistana que, em seu processo de formação social recebeu enorme contingente de nordestinos, sobretudo baianos.

O repertório percorre os corridos trazidos no vasto repertório do Mestre Ananias e o Samba Chula. Essa modalidade de Samba de Roda é característica da região de Santo Amaro da Purificação / BA e absorvida pelos discípulos do Mestre Ananias no convívio e pesquisa junto aos grandes Mestres do Samba no Recôncavo Baiano. O grupo tem formação harmônica de Viola Machete, Violão 7 cordas, cavaquinho e percussiva de pandeiros, atabaque e prato e faca. Possui um grupo de sambadeiras que cantam e dançam trajadas com saias e adornos típicos. 


SAMBA SEM VINTÉM
Também sediado na Casa, o grupo surge em meados de 1999 quando capoeiristas, (discípulos do Mestre Ananias) a partir das tradições do samba de roda buscam também as referências do samba urbano.

O ponto de encontro era o bar “Ó do Borogodó”, no bairro da Vila Madalena, quando ali ainda não havia música ao vivo, era somente uma porta onde o samba acontecia na calçada, em frente ao cemitério. Durante pouco mais de 1 ano, não havia formalidade e toda terça-feira muitas pessoas chegavam e curtiam o samba até de manhã.

A partir daí o grupo se desenvolveu e se manteve durante 5 anos no Centro Cultural KVA mantendo o clima descontraído, sem cobrança de entrada. Realizou centenas de apresentações em eventos, bares e unidades do SESC na capital e em outras cidades.

Além de composições dos integrantes do grupo o repertório é seleto e foca os representantes mais expressivos do samba nacional.