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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CAPOEIRAS NO TEATRO SÉRGIO CARDOSO

Sábado, 16 de agosto às 14h no Teatro Sérgio Cardoso. Sejam bem vindos!

No palco do Teatro Sérgio Cardoso vamos contar a nossa história para além da Roda de Capoeira. Faremos uma viagem aos primórdios da cidade de São Paulo, só que desta vez a história será contada por nós: um olhar negro... de ginga malandra.
 
O movimento é fruto da união de grupos que vivem a Capoeira com pensamentos diferentes. Nossa arte assume nesse movimento sua identidade marcante, seu espírito de luta e resistência às tentativas históricas de dominação. Nos juntamos, grupos do centro e das periferias, e percebemos que há muito mais semelhanças do que diferenças.
 
A Casa Mestre Ananias, o Quilombolas de Luz e Zungu Capoeira na Bela Vista produzimos juntos aos irmãos Ginga no Gueto (Cidade Tiradentes), Irmãos Unidos (Vila Brasilândia) e Associação de Capoeira Santamarense (Jardim Miriam).

O resultado é a peça "O som do Urucungo", que a partir da história de Pai Antônio registrada no Bixiga em meados de 1900, nos instiga a saber mais sobre os mistérios da nossa Capoeira.
 
Mais do que uma peça de teatro iniciamos uma grande teia de possibilidades.
 

terça-feira, 25 de maio de 2010

EM JULHO DE 1960, A CAPOEIRA DE ANANIAS NO PALCO DE "O PAGADOR DE PROMESSAS"

A fotografia acima foi registrada no palco do TBC, em São Paulo, durante a primeira montagem de "O Pagador de Promessas" (em primeiro plano, o ator Leonardo Vilar  e Natália Timberg). Bem ao fundo, desfocado,  procure Mestre Ananias entre os capoeiras vestidos de branco!

No palco do TBC - Teatro Brasileiro de Comédia, em 29 de julho de 1960, a primeira encenação de "O Pagador de Promessas" teve Ananias Ferreira como um dos protagonistas.

Texto: Carlos Primo Vaz
No enredo de "O Pagador de Promessas", o camponês Zé do Burro caminha 7 léguas com uma pesada cruz até a Igreja de Santa Bárbara (em Salvador) para pagar uma promessa atendida. Ela fora feita à santa num terreiro de candomblé, em frente à imagem de Iansã, pedindo a cura de Nicolau (o burro que lhe dá a alcunha).

Na paróquia, Zé é impedido de depositar sua cruz dentro da igreja por Padre Olavo, que imagina preservar-se dessa forma da "adoração de falsos ídolos pagãos".

A história se passa no ciclo de um dia, tendo a fachada da igreja como cenário. Neste curto espaço de tempo, Zé enfrenta uma sucessão de obstáculos e não esmorece. Ele tem o apoio da população negra, devotada ao candomblé, que neste dia festeja a Iansã num cortejo até as escadarias da igreja. 

Quem lhe dá a retaguarda são os capoeiras, que apóiam Zé por terem visto nas manchetes de jornais o registro da extenuante caminhada que empreendeu, e o distorcido anúncio que o tratava como o "novo Messias", que pregava a reforma agrária. Isso porque o apreço de Zé pelo burro também o fizera prometer à santa que, caso ela curasse Nicolau, ele também dividiria suas terras com pessoas menos afortunadas.

Na realidade do obstinado Zé do Burro (com sua posição inflexível no acerto com a santa), as instituições da sociedade se apresentam numa imensa caricatura, em fatos que se desenrolam de maneira dramática e trágica.

"O Pagador de Promessas" foi lançado em livro em 1959, pelo dramaturgo baiano Dias Gomes, que também concebeu o realismo fantástico de Odorico Paraguaçu em "O Bem Amado". Dias Gomes é um dos maiores nomes do teatro brasileiro.
No dia da estréia da peça, em sua primeira encenação no TBC (na rua Major Diogo, bairro do Bixiga), em 29 de julho de 1960, Mestre Ananias Ferreira teve ao seu lado Leonardo Vilar, Natália Timberg, Cleyde Yaconis e Stênio Garcia, entre outros. A direção da peça coube a Flávio Rangel, que nesta época era o responsável pela companhia teatral do TBC.
A capoeira foi representada também por Assis, Vicente, Félix, João e Jorge.
Foi assistindo à peça que o cineasta Anselmo Duarte decidiu filmá-la, o que resultou na sua consagração em 1962, com a Palma de Ouro no Festival de Cannes (até hoje apenas esta história de nossa dramaturgia alcançou este cobiçado prêmio).
Apesar de não ter ido à Bahia para a filmagem da história, Mestre Ananias relata ter participado da sonorização do filme, feita em São Paulo. Na tela do cinema, quem aparece é Mestre Canjiquinha, conterrâneo e mestre de Ananias.
Mais uma vez, muita saúde para o nosso Mestre! 

Acompanhe o blog de Mestre Ananias e fique por dentro da história deste grande nome da capoeira do nosso Brasil! Aqui em breve, mais relatos de "O Pagador de Promessas".

Fotografia 2: Brígida Rodrigues

quarta-feira, 31 de março de 2010

NOS ANOS 70, MESTRE ANANIAS ATUANTE NOS PALCOS E NOS ESTÚDIOS


Texto: Carlos Primo Vaz
A imagem acima reproduz a capa do disco em que Mestre Ananias Ferreira gravou pela primeira vez cantigas de capoeira.  O ano corrente era 1979, tendo Mestre Ananias 55 anos de idade. Ele diz terem sido três dias de gravação no estúdio de Pedro Sertanejo, em São Paulo, para a preparação do disco. Mestre Ananias está postado atrás de Mestre Joel, um cantador de bonita voz. Quem os acompanha são Dadinho e João Brás.

Sempre exigente com a afinação e o ritmo, nosso mestre continua aos 85 anos no comando de uma  harmoniosa bateria (para vê-la em ação, basta estar presente às rodas de terça-feira na Casa Mestre Ananias).

Com alguma sorte, é possível encontrar o disco em lojas de usados (o conteúdo deste long play foi também relançado no formato CD, nos anos 90).

Disco de Balbina - Um pouco antes, em 1970, o sucesso da peça musical Balbina de Iansã deu origem a um LP, lançado pela hoje extinta gravadora RGE.


Para conceber a encenação, que resultaria na gravação do LP, Plínio também "convidou músicos da roda de samba paulista, como Talismã e Zeca, da Casa Verde; Toniquinho, da Império do Cambuci; Marco Aurélio 'Jangada', da Lavapés; Geraldão, da Unidos do Peruche; e Kasinho, da Vila Maria. Juntos, eles escreveram letras, criaram sambas e marcaram com atabaques os pontos de candomblé presentes no texto"*  do dramaturgo.

No enredo da peça, Balbina é adepta do candomblé e se apaixona por um rapaz de um terreiro adversário. No transcorrer da história, o casal é obrigado a abdicar da religião que praticava, para poder viver o romance.

*(trecho de Plínio Marcos, a flor e o mal, 1993, redigida como tese de doutorado na ECA-USP por Paulo Melo) 

Na fotografia, as filhas de Santo de Balbina de Iansã, que na montagem eram do Povo de Pedra Branca, como Mestre Ananias: Lucila Potroquinha (Ogum), Lígia de Sá (Yemanjá), Clarinda Pedro (Oxossi), Hilda dos Passos (Oxum), Dayse Camargo (Obaluiaiê) e Marlene Caiubi (Xangô). A imagem consta no catálogo da encenação (com fotos de Vicente Parisi e Bia Parreiras).


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

VIVA A CAPOEIRA! MESTRE ANANIAS FERREIRA COMEMORA 85 ANOS!

Esta imagem foi reproduzida no catálogo de Balbina de Iansã, a primeira peça teatral de Mestre Ananias com o dramaturgo Plínio Marcos, em 1970 (as fotos desse catálogo são de Vicente Parisi e Bia Parreiras).

Nesta semana, Mestre Ananias completa 85 anos de muito trabalho com a cultura do Brasil! Como foi prometido pela redação do blog, apresentamos a você, internauta, uma foto do Mestre (quando tinha em torno de 46 anos) e seus "meninos". No agogô, Paulinho Carrera; nos atabaques Mestre Ananias (rum), Narciso Fonseca (rumpi) e Vadinho (lê).


Texto: Carlos Primo Vaz
"Trabalhei em todos os palcos da cidade",  fala Mestre Ananias ao repórter. Ele conviveu e trabalhou com nomes de expressão na cultura nacional e no samba de São Paulo (confira um pouco dessa história nas postagens de 06/1118/11). 

Nas encenações de Plínio Marcos, Mestre Ananias tinha uma responsabilidade grande: "Eu tocava de tudo, meu filho: capoeira, candomblé e samba de roda", diz. Também esteve presente e atuante no Teatro Popular de Solano Trindade, renomado poeta e artista afrobrasileiro (aguarde postagem sobre o tema). 

Seu reconhecido talento como ritmista o fez presente na trilha sonora do filme "O Pagador de Promessas" (baseada na criação  do dramaturgo Dias Gomes) que, entre outros importantes prêmios, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes (França), em 1962. Quem intermediou esta trabalho do Mestre foi o ator e diretor teatral Flávio Rangel, que encenou a peça "O Pagador de Promessas" no TBC - Teatro Brasileiro de Comédia (situado no Bixiga), em 1960, com Mestre Ananias no elenco. Assistir à encenação desta peça foi o momento decisivo para Anselmo Duarte (o diretor do filme) decidir levar esta história às telas do cinema.

Hoje, no Bixiga, a Casa Mestre Ananias atende à comunidade local, oferecendo o aprendizado da capoeira, da música e da cidadania a dezenas de garotos e jovens, sob a supervisão e conselhos valiosos do Mestre.

O legado cultural, a experiência e sabedoria de Mestre Ananias Ferreira contribuem efetivamente para a valorização das tradições brasileiras, em todo o mundo. Parabéns, Mestre! 

Fique de olho nas novas postagens! Em breve, as fotos da comemoração dos 85 anos de Mestre Ananias. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

NO PALCO DE BALBINA, ANANIAS FERREIRA E GERALDO FILME EM AÇÃO


Na foto, Geraldo Filme (agachado, à esquerda) toca reco-reco, com Irineu Escovinha (cavaquinho) e Nofrinho (pandeiro) - (as fotos do catálogo de Balbina de Iansã foram feitas por Vicente Parisi e Bia Parreiras).

O dramaturgo Plínio Marcos dirigiu a peça Balbina de Iansã, que estreou em São Paulo em 1970, com a música de Mestre Ananias em cena.

Texto: Carlos Primo Vaz
Em 1970, Balbina de Iansã estréia no belo Teatro São Pedro, localizado no bairro da Barra Funda (SP), escrita e dirigida por Plínio Marcos. A religiosidade do negro e sua inserção em nossa cultura são tratados de forma objetiva e sem preconceitos no enredo da peça.

Em cena, Geraldo Filme liderava o Grupo Barra Funda (foto acima) e participava, com Mestre Ananias, do Povo de Pedra Branca.

No elenco, interpretando Balbina, a atriz Walderez de Barros (esposa de Plínio). Anos mais tarde, muitos participantes desse elenco (integrados nessa época ao grupo teatral Conjunto Malungo), seriam a base para a formação do grupo O Bando, entre eles alguns da turma do samba: Mestre Ananias, Toniquinho Batuqueiro, Jangada e Talismã.

Acima, a capa do catálogo da encenação.

Esta foi a primeira experiência profissional de Mestre Ananias com o dramaturgo Pínio Marcos, que contou com a ajuda do mestre para se aprofundar na temática de Balbina de Iansã. "Nessa época, eu levei o Plínio a alguns terreiros de candomblé em São Paulo, ele era curioso para conhecer", diz Mestre Ananias.

Com Plínio, o mestre também atuou em Jesus Homem, uma década mais tarde. Conforme relata Mestre Ananias, a relação entre os dois não avançou profissionalmente devido ao temperamento rude e violento de Plínio Marcos.

Aguarde a publicação da foto de Mestre Ananias Ferreira, registrada em 1970!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MESTRE ANANIAS: BATUCANDO COM O BANDO TEATRAL DE PLÍNIO MARCOS

A peça Jesus Homem, escrita por Plínio Marcos, foi encenada na década de 80 pelo grupo teatral O Bando, do qual fez parte Mestre Ananias desde a fundação.

Mestre Ananias está prestes a completar 85 anos! Para celebrar a força e energia do Mestre neste momento especial, nós do blog vamos trazer para você mais informações sobre a vida e história de Ananias Ferreira.

Texto: Carlos Primo Vaz
No começo dos anos 80, apesar da abertura política, o simples ato de distribuir panfletos e filipetas com desconto nas ruas podia render contratempos a destemidos atores e músicos. Foi dessa forma, promovendo a peça no corpo-a-corpo e enfrentando obstáculos criados por fiscais e autoridades, que o grupo O Bando levou milhares de pessoas às encenações da peça Jesus Homem (que teve estréia no Teatro TAIB, em São Paulo, em 1980).
Como mostra da hipocrisia da tolerância racial no Brasil, os mais perseguidos nessa atividade de divulgação eram os negros do elenco, como conta Plínio Marcos no livro com a peça (capa acima), sobre um caso envolvendo Toniquinho Batuqueiro, homem de renome no samba paulistano.
Em Jesus Homem, Plinio propõe Jesus Cristo como esperança para os desvalidos de todo o gênero, marginais, prostitutas e mendigos. Escolheu um ator negro como protagonista, João Acaiabe, para representar Jesus.
As músicas em Jesus Homem eram executadas ao vivo durante o espetáculo, com o rigor de Mestre Ananias no comando dos atabaques.
Mestre Ananias já havia participado de uma peça com Plínio, Balbina de Iansã. "Mestre Ananias é capoeira de valor provado e ogã de grande valia", diz Plínio no catálogo da peça Balbina, que estreou em 1970 no Teatro São Pedro (Barra Funda / SP).
Nesta imagem, fotografada por volta de 1980, temos os compositores de O Bando: (da esquerda para a direita): Zeca da Casa Verde, Toniquinho Batuqueiro, Jangada e Talismã. A foto consta do livro "Jesus Homem", que teve a 1ª edição lançada em 1981 pela Editora do Grêmio Politécnico da USP (os créditos das imagens presentes no livro são de Décio José e José de Nicola).
Acompanhe o blog da Casa Mestre Ananias ! Em breve, mais fotos e história desse teatro! Aguarde a foto inédita de Mestre Ananias (registrada em 1970) e imagens de Geraldo Filme e outros integrantes do elenco de Balbina de Iansã.