
Informe e fotos: Brígida - Di Lua


CENTRO PAULISTANO DE CAPOEIRA E TRADIÇÕES BAIANAS - Bixiga / São Paulo



São Félix e Cachoeira, separadas pelo rio Paraguaçu e unidas pela forte tradição cultural do Recôncavo Baiano (foto de autoria desconhecida)Texto: Carlos Primo Vaz
03 de fevereiro, noite chuvosa aqui no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. A água escorre pelo meu rosto e alivia o calor do verão. Ruídos dos carros, monotonia na cidade.
Conheci a Márcia Maria nessa noite. Dizendo me conhecer, convidou-me para uma conversa, estava eu solitário no bar da rua das Palmeiras. Veio ela de Alagoinhas, fez questão de ressaltar ter nascido na Bahia, terra boa.
Digo pra ela ― depois de concordarmos que realmente não nos conhecíamos até então ― que trabalho para Mestre Ananias. Márcia morou 7 anos em Cachoeira (BA), dos seus 13 aos 20 anos. Como mostra a foto acima, Cachoeira e São Félix (cidade na qual nasceu o mestre) tem apenas o rio Paraguaçu a separá-las. "Tinha muita rivalidade entre as cidades", lembra. Hoje Márcia tem 37 anos e há anos reside em São Paulo.
"Cachoeira é lugar de muita entidade, de macumbeira", diz. "É um lugar místico, vi muita gente incorporando lá". Márcia afirma não praticar o candomblé, mas também não tem "nada contra". "Em Cachoeira todo mundo pratica, já em São Félix não se comenta tanto", complementa.
Pergunto pra Márcia: Tem um orixá que te orienta? Ela olha, disfarça, chama uma amiga para falar da "entrevista". Havia dito ela, logo quando começou a conversa, que "estava ali pra curtir o som e era pra não perguntar muito". Tudo bem.
Quando começou a chuva eu caminhava pela Avenida Paulista, fechei os olhos e pensei num lugar em que gostaria de estar naquele momento. Segui caminhando em meio ao temporal e ali cheguei, para ouvir o que Márcia tinha para me dizer.