quarta-feira, 23 de julho de 2008

CAPOEIRA É OFICIALMENTE RECONHECIDA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO


O nosso Mestre Ananias, aos 83 anos, é a expressão maior da capoeira em São Paulo

Foto: Brígida Rodrigues - Di Lua


Em 1972, o Ministério da Educação e Cultura reconheceu a capoeira oficialmente como esporte. Agora, desde o dia 15 de julho de 2008, a capoeira é Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial.

Em reunião realizada na cidade de Salvador (ver post de 1 de julho), as inscrições do Ofício dos Mestres de Capoeira no Livro dos Saberes e da Roda de Capoeira no Livro das Formas de Expressão foram aprovadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Nós aqui de São Paulo, da Casa Mestre Ananias, saudamos a ação dos fomentadores culturais e das autoridades governamentais em prol da valorização da capoeira em todo o Brasil. O conhecimento e a experiência dos mestres da capoeira é um patrimônio inestimável. Esperamos que, na imensidão de nosso país, a capoeira tenha efetivo incentivo e apoio financeiro. Sabemos que um enorme contingente de mestres reside hoje no exterior (representando a cultura do Brasil em mais de 150 países), por encontrarem melhores perspectivas de desenvolver o trabalho com a capoeira em terras estrangeiras.

Saudações a Mestre Ananias, que desde a sua chegada à cidade de São Paulo nos anos 50 faz da capoeira um exercício de saúde, alegria e desenvolvimento das capacidades do indivíduo. Parabéns a todos os mestres e a quem acredita na capoeira!

Mais detalhes no link:
http://www.cultura.gov.br/site/2008/07/16/capoeira-patrimonio-cultural-brasileiro/

sexta-feira, 11 de julho de 2008

SAMBA DE RODA EM MARAGOGIPE É TRADIÇÃO DE PAI PARA FILHO

O Samba de Maragogó e alunos de Mestre Ananias (de chapéu) fazendo juntos o samba de roda no Bixiga

Foto: Zé Amaral

Informe: Carlos Primo

O grupo musical Samba de Maragogó, formado há 2 anos e em sua primeira visita a São Paulo, realizou nova apresentação na Casa Mestre Ananias. No dia 1 de julho, dias após prestigiarem a Festa Junias (ver post de junho), os sambadores da cidade de Maragogipe, do Recôncavo Baiano, voltaram à nossa casa para se apresentarem pelo Projeto Saberes do Brasil.

Em Maragogipe (cidade com 37 mil habitantes), tocar pandeiro é uma atividade transmitida de pai para filho. O músico Agnaldo da Cruz, de 37 anos, conta que o seu pai "era muito festeiro" e construiu um pandeiro para ele. "Disse para mim: se gostar, toque. Tinha 14 anos, era um menino curioso, simpatizei com o pandeiro e aqui estou"

O ritmo do samba de Maragogipe é "pra frente, sacudido, pra ninguém ficar parado", diz o músico Nildo Santana, de 32 anos. Ele explica que cada cidade do Recôncavo tem um ritmo próprio no samba de roda. "Em Cachoeira toca-se de um jeito, em São Félix de outro, e assim por diante", diz. Essa variedade de maneiras de fazer o samba de roda na Bahia serve para ressaltar a riqueza da expressão cultural manifestada pela música popular na região.

Nildo Santana toca seu pandeiro com bastante vigor e firmeza, conforme seu pai o ensinou, a partir dos 10 anos de idade. Da mesma maneira que aprendeu com o pai, exerce seu papel para manter a tradição na família. "Meu filho Valter, de 3 anos, já vai no ensaio, toca que nem gente grande. O pessoal olha e não acredita".

Vieram para São Paulo 8 músicos do Samba de Maragogó, entre 18 componentes que costumam se revezar nas apresentações. A Casa Mestre Ananias agradece a visita e a oportunidade de compartilhar, com entusiasmo e alegria, conhecimentos e experiências com os companheiros de Maragogipe.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

SAMBA DE MARAGOGÓ E A EMBOLADA DE PENEIRA E SONHADOR NA FESTA JUNiAS

Sakura e as crianças na sintonia de alegria das celebrações juninas da Festa Junias
Foto: Brígida Rodrigues - Di Lua


A Festa Junias, em 28 de junho, apresentou o Samba de Maragogó para os paulistanos e teve a presença sempre descontraída dos poetas repentistas Peneira e Sonhador.

Teve canjica, vaca atolada, bolo de mandioca e outras delícias culinárias, também o quentão e a fogueira.

Às 17h, rolou a embolada de Peneira e Sonhador (confira nosso post de maio com a dupla). Depois na quadrilha com as crianças, houve o casamento da noiva Lis com o noivo Tiago. A corrida de saco rendeu disputa e prenda para os campeões.

A roda de capoeira aconteceu às 19h, antes da apresentação às 20h do ritmo "pra frente" do Samba de Maragogó, direto do Recôncavo Baiano e pela primeira vez em São Paulo.

A confraternização se estendeu até o começo da madrugada e trouxe muita alegria à Casa Mestre Ananias.

terça-feira, 1 de julho de 2008

CAPOEIRA É PATRIMÔNIO CULTURAL

Roda em São Paulo com Mestre Ananias (de chapéu panamá) e alunos na prática da arte da capoeira

Foto: Brígida Rodrigues - Di Lua

Informe: Carlos Primo


A cultura brasileira tem na capoeira uma representante de nossas mais autênticas expressões populares. Com raízes da África, a capoeira nasceu no Brasil como reação do negro escravizado à pobreza e à submissão. Nas senzalas, a capoeira era vista pelo senhor de engenho apenas como diversão, enquanto os negros praticavam a ginga e dançavam, fortalecendo o corpo e a mente.

Quando vivendo em matas e quilombos, o negro encontrou em meio à natureza o espaço de liberdade para praticar a sua arte e aprimorá-la.

Em ambientes urbanos como o Rio de Janeiro, já no século da abolição, a prática da luta era caso de polícia. Valentes capoeiristas defendiam sua dignidade com maestria e destreza, sem dar chance aos inúmeros soldados mobilizados para contê-los.

Fruto da miscigenação do povo brasileiro e retrato de nossas ancestralidades, a capoeira hoje é praticada por milhões de pessoas e é motivo de interesse de jovens em diversas partes do mundo.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (vinculado ao Ministério da Cultura) vai apresentar no Palácio Rio Branco, em Salvador, o inventário para o registro da capoeira como patrimônio cultural do Brasil. Uma apresentação musical (com ingressos gratuitos) também será realizada à noite na cidade, no Teatro Castro Alves. A data dos encontros é 15 de julho.

O reconhecimento formal pelas instituições públicas brasileiras colabora para a valorização do ofício dos mestres que ensinam a capoeira ao redor de mais de 150 países.

Confira o link: