sexta-feira, 8 de abril de 2011

ABRIR OS OLHOS PARA O VALOR DA CAPOEIRA BRASILEIRA

O garoto Tiago, morador do bairro, se instrui com os livros da Casa Mestre Ananias. Parceria com o jornalista Carlos Primo (editor deste blog) rendeu à CMA uma biblioteca comunitária com mais de 1.000 exemplares em menos de um ano de trabalhos (fotografia de julho/2010).
Foto: Carlos Gonzalez

A riqueza indiscutível da capoeira brasileira encontra pela frente, infelizmente, uma enorme miopia de nossa sociedade, incluindo a grande imprensa. Há alguns dias, o jornalista Gilberto Dimenstein (da Folha de São Paulo) publicou textos na internet, em que disse que "a melhor capoeira está nos Estados Unidos". Lá, de acordo com Dimenstein, há em curso um projeto revolucionário de educação vinculado à capoeira, e o jornalista se lamenta por ter de "viajar para tão longe do Brasil para ver o melhor uso da capoeira na educação".

A capoeira encontra-se em franca expansão pelo mundo. Hoje, na quase totalidade das nações (excetuando ditaduras e regimes políticos fechados) há profissionais brasileiros ensinando a sabedoria da capoeira para os estrangeiros, fascinados com a riqueza de nossa cultura. É com a capoeira que muitos "gringos" têm contato com a língua portuguesa e começam a aprender as primeiras palavras de nosso idioma.

Se os elementos para a gênese da capoeira chegaram ao Brasil com o negro no período colonial, hoje a nossa arte faz o caminho inverso, com os capoeiras brasileiros ensinando aos africanos em suas terras. Não existe uma capoeira original da África ou de qualquer outra parte do mundo, é por meio do  que o brasileiro aprendeu que ela se espalha pelo mundo.

Os mestres da capoeira pelo mundo afora encontram nestas outras terras a estrutura e o apoio que não encontram no Brasil. Mesmo com as autoridades a reconhecendo em 2008 como patrimônio da cultura imaterial da cultura brasileira, é necessário ainda longo caminho e esforços para que a capoeira ocupe o lugar que lhe é de direito em nossa sociedade e exerça em plenitude o seu papel transformador. Salve a Capoeira e os mestres que preservam as tradições dessa autêntica manifestação afro-brasileira!

Um comentário:

Claudia de Paula disse...

Olha o Tiaguinho aí...aproveita, garoto! Pq como diz o texto do Primo, infelizmente, poucos lugares são como a nossa Casa, onde conseguimos juntar a vadiação da capoeira e da cultura popular com educação...e melhor, educação infantil.